Uma obra escrita pela jovem Mary Shelley aos 19 anos que apesar de ter entrado para a história da literatura como símbolo do horror, traz consigo grandes questionamentos sobre a sociedade e uma sensibilidade sublime.
A história mundialmente conhecida, talvez não em sua íntegra, revela a criação de um monstro acidentalmente grotesco e repugnante que recebeu vida e por consequência se tornou um ser tanto racional quanto emocional como seu criador Victor Frankenstein, o homem fascinado pelas ciências naturais.
Como um recém-nascido, a figura de 2,40 metros de altura não sabia das dificuldades que enfrentaria em razão de sua aparência. Era dotado de um espírito bondoso apesar de ter sido rejeitado pela sociedade e por seu próprio criador. Em certa ocasião vagando pelas ruínas de sua circunstância, se abriga numa choupana para observar uma família de camponeses e acaba descobrindo a história lúgubre que a envolve. Por serem humildes, o monstro se aproximou cautelosamente após um árduo estudo de seus costumes; mas foi praticamente linchado. Possesso, queimou a plantação do quintal da casa e migrou daquele lugar ficando novamente sem rumo.
Por consequência de tamanha discriminação, o monstro que até então era de uma bondade suprema, acabou se convertendo num assassino acabando aos poucos com a vida de seu criador, apesar de sofrer intensamente por seus atos e ser consumido pelo remorso, na medida em que Victor beirava o suicídio por seu desespero. O desfecho da história mostra todo o arrependimento, remorso e tristeza da criatura inominada, que por não ter sido vingada decide se suicidar.
Frankenstein é uma obra de horror, embora a figura criada seja de aspecto fantástico e a maior parte da história foque no terror psicológico vivenciado por seus protagonistas. Mas seu valor está na evidência do preconceito da sociedade pelo desconhecido e inconvencional, que acabou sendo culpada indiretamente pela criação de uma máquina assassina e ambígua, capaz de cometer atrocidades e se arrepender profundamente a ponto de atentar contra a própria vida.

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