Um conto simples do crítico social Guy de Maupassant e que apesar de curto e escrito em uma linguagem acessível, traz contexto histórico, ideologia e moral em suas entrelinhas.
A história é de uma jovem provinciana de vida pacata que movida pela curiosidade resolve conhecer Paris em razão das crônicas que lia sobre as roupas e os costumes da época. Determinada, inventa uma desculpa singela ao marido e o deixando com seus dois filhos, segue seu caminho.
Ao chegar em Paris se sente deslocada em meio aos cafés e bulevares conturbados, fica espantada com essa circunstância. Mas ao lembrar dos célebres e ilustres homens, além dos artistas quase perfeitos, segue sua jornada na esperança de encontrar um desses seres importantes.
Logo chega em frente de uma loja especializada em artigos japoneses quando percebe o proprietário negociando um bibelô com um suposto homem dos seus sonhos. Ao se aproximar cautelosa, descobre que o comerciante dissuadia o famoso escritor Jean Varin e que a loja atraía artistas renomados como Dumas e Zola. Perspicaz, a moça compra o bibelô para Jean em troca de sua companhia. Juntos, vão aos bulevares, ao teatro e bebem absinto. Quando finalmente anoitece, a moça sucumbe ao seu verdadeiro desejo. Tímida e simples, se depara com a exigência e arrogância de Jean Varin. Perturbada pela ignorância de seu parceiro, vai embora logo na manhã seguinte apenas tendo descoberto que o pecado é de fato perigoso.
A moral do conto é mostrar a vida repleta de prazeres mundanos pela perspectiva de que esses podem não ser verdadeiros e que apesar da popularidade da Belle-Époque em voga na época, esse período não era sinônimo de felicidade e integralidade, afinal a existência ainda era superficial.
Nenhum comentário:
Postar um comentário