Uma história impactante que na verdade é uma novela, é sobre uma máquina de tortura e execução que atua dentro de uma colônia penal chefiada por um oficial imparcial que está encarregado de torturar e assassinar um soldado membro da colônia acusado de insubordinação e desacato ao seu capitão. Um explorador é enviado ao local por um comandante para verificar os procedimentos judiciais utilizados. A descrição da máquina feita pelo oficial ao explorador é de uma tensão e agonia atrozes, inclusive a vítima é apresentada pelo narrador como "o condenado". Quando o oficial se preocupa com o que ele julga ser um poder superior por parte do explorador, lhe pede ajuda tentando convencê-lo a não divulgar sua opinião própria que obviamente era oposta ao método utilizado; tenta persuadi-lo. Mas sendo o explorador um homem convicto, não se deixa influenciar, atitude que desencadeia um fim ao mesmo tempo grotesco e apaziguador.
"Na Colônia Penal" é uma novela incrível e arrebatadora capaz de representar com clareza através da narrativa fluída e perturbadora toda a crueldade causada pela máquina e contida em seu manipulador, de modo a causar no leitor arrepios de agonia, inquietação, pavor e até mesmo impotência conforme a descrição do funcionamento da máquina. Uma atmosfera estarrecedora comum nas obras de Kafka. Apesar de ser horrenda, a história ainda traz um fim de alívio, digno da honra do explorador.
Além de os contos (post anterior aqui no blog) e a novela "Na Colônia Penal" serem bem construídos a ponto de tirar o leitor da zona de conforto, são produções escritas pouco antes da morte prematura de Kafka aos 40 anos vítima de tuberculose e são praticamente autobiográficas, o que torna a atmosfera ainda mais desconcertante.
| Link para a resenha dos contos: http://diversidadefutil.blogspot.com.br/2017/04/um-artista-da-fome-seguido-de-na.html |



